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Ensino, pesquisa e extensão na valorização da mulher
Dia Internacional da Mulher
Para cego ver: imagem composta por fotos de mulheres das iniciativas apresentadas na matéria
Mais do que uma data de celebração e homenagens, o dia 8 de março, reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional da Mulher, busca simbolizar e lembrar a luta histórica das mulheres por igualdade social, entre eles igualdade salarial, melhores condições de trabalho, direitos políticos e combate à violência.
O Instituto Federal do Tocantins (IFTO) busca contribuir por meio da oferta de formação qualificada e oportunidades direcionadas às mulheres. Nesta reportagem especial, destacamos três iniciativas institucionais realizadas nos eixos de ensino, pesquisa e extensão que visam, além da valorização de meninas e mulheres, fornecer conhecimentos e ferramentas e despertar aptidões para o enfrentamento de desafios que ainda persistem.
Projeto de ensino “Fluxo Sem Tabu” fortalece dignidade menstrual entre estudantes
A saúde da mulher requer cuidados específicos e que situações naturais, como a menstruação, por exemplo, sejam tratadas de maneira aberta, consciente e sem misticismos. Com o objetivo de combater a desinformação e ampliar o acesso à dignidade menstrual, o projeto “Fluxo sem Tabu” realizou uma série de ações com foco voltadas para estudantes das unidades acadêmicas do IFTO.
As orientações de saúde foram partilhadas numa série de vídeos, que estão disponíveis no canal do IFTO no YouTube, e
que abordam temas como endometriose, alimentação e bem-estar, tensão pré-menstrual - a TPM -, tipos de absorventes, entre outros temas importantes de terem atenção relacionados com o período menstrual. A equipe do projeto também elaborou uma cartilha, com orientações detalhadas e simples sobre todo o período menstrual, além de orientações sobre higiene íntima, cuidados com a saúde e o bem-estar e instruções práticas sobre o Programa Dignidade Menstrual, que garante absorventes gratuitos para quem precisa em todas as unidades do IFTO.
A estudante Wareti Sompré participou como bolsista no projeto e disse que ele ressignificou muita coisa para ela, que já se sentiu envergonhada ao falar sobre menstruação. “Já fiquei constrangida em falar sobre saúde feminina e acreditei em mitos por falta de informação, mas hoje consigo discernir melhor. Agora vejo a saúde feminina e os direitos menstruais com novos olhos e como um tema que precisa ser falado”, declarou a participante.
Muitas meninas e mulheres ainda desconhecem os cuidados e as informações específicas detalhadas com a saúde feminina. Estudantes do Campus Dianópolis que foram atendidas pelo projeto destacaram exatamente o potencial de orientar e ajudar meninas que precisam. “O Fluxo Sem Tabu tem sido importante pois ajuda diversas meninas que não têm condições de trazer absorventes de casa e também até as meninas que acabam esquecendo. Então é um projeto ótimo, que tem ajudado muitas pessoas daqui do IF”, disse uma delas, que preferiu não se identificar.
A coordenadora do projeto, Cláudia Pacheco, faz uma avaliação positiva do projeto. “As ações evidenciaram a importância de criar espaços seguros de diálogo sobre saúde menstrual, direitos e autocuidado, fortalecendo a autonomia das estudantes e contribuindo para sua permanência na escola. Percebemos que ainda há muitos silêncios a serem rompidos e o projeto tem cumprido esse papel com sensibilidade e responsabilidade”, .
Cláudia falou que a equipe do projeto pretende dar continuidade à ação e, entre as ações futuras estão capacitar os demais profissionais de saúde dos campi para que possam reproduzir a oficina realizada, ampliando o alcance da iniciativa e consolidando a temática como uma ação institucional contínua de promoção da dignidade menstrual.
Conheça melhor o projeto Fluxo sem Tabu.
Pesquisa busca de alívio para sintomas da menopausa
Por falar em temas do universo feminino que são tabu, a menopausa é uma fase da vida da mulher que carece de informação e visibilidade, especialmente no âmbito científico. A constatação é da professora Kátia Paulino, que orienta uma pesquisa inovadora que visa o “Desenvolvimento de goma de mascar fitoterápica à base de extrato de amora (Morus spp.) para o alívio dos sintomas da menopausa”.
Unindo inovação tecnológica, sustentabilidade e saber tradicional, a pesquisa investiga as propriedades bioativas da amora, com foco em seus compostos de ação estrogênica natural e suas possíveis aplicações em produtos fitoterápicos e alimentares. De acordo com Renatta Cardoso da Silva, estudante de Ciências Biológicas do Campus Araguatins, o principal diferencial da goma é ser natural e complementar aos tratamentos convencionais.
“Enquanto os medicamentos à base de hormônios sintéticos buscam repor diretamente o estrogênio, eles podem estar associados a efeitos adversos, como aumento do risco de trombose e câncer de mama em alguns casos. Por isso, há um crescente interesse em fitoterápicos e produtos com compostos bioativos vegetais. No nosso caso, os flavonoides presentes na amora, que possuem ação estrogênica leve, ou seja, imitam parcialmente o efeito do estrogênio natural, sem os riscos associados aos hormônios sintéticos”, explicou a estudante.
A pesquisa teve início em 2023, por meio do Edital nº 35/2023 do Programa de Iniciação científica IFTO/CNPq e, mesmo
após o término do edital, segue em desenvolvimento e foi contemplado na Chamada Pública “Meninas na Ciência”, um evento realizado no âmbito da Jornada de Iniciação Científica e Extensão (Jice) que busca dar visibilidade e incentivar a participação feminina na ciência, tecnologia e inovação.
Por meio da extensão, projeto promove autonomia econômica a mulheres em vulnerabilidade
Produzir para Libertar é um projeto que nasce com o objetivo de possibilitar a mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica alternativas para que busquem melhores condições de vida para si e suas famílias. Aproveitando uma turma do programa Mulheres Mil, o grupo Articulação de Mulheres na Agroecologia (AMA) - composto por servidoras e estudantes do campus e responsável pelo projeto - resolveu formar dar início à ação que consiste na descaracterização e no reaproveitamento de roupas apreendidas, transformando o que antes seria descartado em novas peças. A iniciativa deu tão certo que foi formalizada a parceria com a Receita Federal, que é quem fornece a matéria-prima para a confecção das novas peças.
Além de sustentável, o projeto é uma oportunidade de geração de renda e fortalecimento feminino. “O “Produzir para Libertar” reafirma que quando mulheres têm acesso a oportunidades, elas transformam suas próprias histórias e impactam positivamente toda a comunidade”, destacou a coordenadora do projeto, Érica Simonetti.
20 mulheres integram o projeto e recebem capacitação, orientação e acompanhamento, desenvolvendo habilidades produtivas e empreendedoras. O público atendido é formado por mulheres em situação de vulnerabilidade econômica e social, muitas delas chefes de família, que encontram no projeto não apenas uma fonte de renda, mas também fortalecimento da autoestima, pertencimento e esperança. “Mais do que uma atividade econômica, a iniciativa representa um espaço de acolhimento, aprendizado e reconstrução de trajetórias”, completou Érica.
Mãe, esposa e integrante do projeto, Lucirene Barbosa Neto conta da felicidade de fazer parte dessa iniciativa. O Produzir para Libertar é um projeto muito bom. Adoro fazer parte dele, ele fez toda a diferença na minha vida. Nos nossos encontros, produzimos e compartilhamos nossas experiências e aprendo muitas com todas as mulheres participantes. Além de confeccionar os nossos produtos, conversamos e rimos e esquecemos por um instante as nossas dificuldades. Lá, me sinto empoderada, forte emocionalmente e o melhor de tudo: ainda entra uma graninha extra”, contou com satisfação.